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mutilação genital feminina o que é

Mutilação genital feminina (MGF) é qualquer procedimento que corta, remove ou fere os órgãos genitais externos de meninas e mulheres sem qualquer justificativa médica, sendo reconhecida mundialmente como uma grave violação de direitos humanos.

O que é mutilação genital feminina

A MGF envolve o corte, remoção ou fechamento parcial da vulva, incluindo clitóris, pequenos lábios e, às vezes, grandes lábios, sempre por motivos culturais, sociais ou religiosos, nunca médicos. A Organização Mundial da Saúde define a prática como qualquer intervenção que remova parcial ou totalmente os órgãos genitais externos femininos ou cause lesão a esses órgãos sem necessidade de saúde.

Hoje, estima‑se que cerca de 200 milhões de meninas e mulheres vivas tenham sido submetidas à MGF em diferentes países do mundo. Em geral, o procedimento é feito na infância ou adolescência, muitas vezes sem anestesia e em condições insalubres, o que aumenta muito os riscos imediatos e a longo prazo.

Em muitas comunidades, a MGF é vista como “rito de passagem” para a vida adulta ou condição para casamento, o que pressiona famílias a manterem a prática.

Tipos principais de MGF (classificação da OMS)

A OMS e várias entidades de saúde dividem a MGF em quatro tipos principais, de acordo com a extensão do corte.

  1. Tipo I – Clitoridectomia
    • Remoção parcial ou total do clitóris e/ou do prepúcio clitoriano.
 * É um dos tipos mais frequentemente relatados em algumas regiões.
  1. Tipo II – Excisão
    • Remoção parcial ou total do clitóris e dos pequenos lábios, com ou sem retirada dos grandes lábios.
 * Provoca perda significativa de tecido e sensibilidade.
  1. Tipo III – Infibulação
    • Estreitamento do orifício vaginal por meio do corte e costura dos pequenos e/ou grandes lábios, com ou sem remoção do clitóris.
 * Deixa um pequeno orifício para passagem de urina e menstruação; muitas vezes é necessário “abrir” a vulva para relações sexuais ou parto, o que causa novas dores e complicações.
  1. Tipo IV – Outros procedimentos lesivos
    • Inclui perfuração, picar, incisão, raspagem, cauterização ou qualquer outra lesão nos genitais externos por razões não médicas.

Onde e por que ainda acontece

A MGF é praticada principalmente em países da África, em partes do Oriente Médio e de algumas comunidades na Ásia, mas também aparece em diásporas na Europa, Américas e outros lugares. Mesmo sendo reconhecida como violação de direitos humanos, projeções indicam que dezenas de milhões de meninas ainda correm risco de sofrer MGF até 2030 se nada mudar.

Os motivos mais citados incluem:

  • Ideias de “pureza”, “honra” e controle da sexualidade feminina.
  • Pressão social para que meninas sejam consideradas “casáveis” ou “respeitáveis” na comunidade.
  • Crenças errôneas de que a MGF é exigência religiosa (embora grandes lideranças religiosas a rejeitem).
  • Tradição cultural transmitida por gerações, muitas vezes conduzida por mulheres mais velhas da família ou da comunidade.

Em vários países (incluindo muitos na Europa e em contextos lusófonos) a MGF é crime e há políticas de prevenção, proteção a meninas em risco e apoio a sobreviventes.

Consequências para a saúde e a vida das meninas

A prática é descrita por instituições médicas e de direitos humanos como extremamente dolorosa e perigosa.

Efeitos imediatos possíveis:

  • Dor intensa e choque.
  • Hemorragia grave.
  • Infecções, incluindo tétano e septicemia.
  • Dificuldade para urinar e, em casos graves, risco de morte.

Efeitos de longo prazo:

  • Dor crônica, problemas para urinar e para a menstruação.
  • Infertilidade e maior risco de complicações na gravidez e no parto.
  • Necessidade de cirurgias de “abertura” (desinfibulação) e, às vezes, novas suturas.
  • Traumas psicológicos, ansiedade, depressão e transtorno de estresse pós‑traumático.
  • Dificuldades na vida sexual, incluindo dor e diminuição do prazer.

Por tudo isso, a MGF é considerada uma forma extrema de violência de género e de discriminação contra meninas e mulheres.

MGF hoje: datas, leis e mobilização

O dia 6 de fevereiro é reconhecido internacionalmente como o Dia da Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina, usado por ONU, governos e organizações civis para campanhas de sensibilização e mudança social. Muitos países aprovaram leis específicas que criminalizam o corte, inclusive quando realizado no exterior contra meninas residentes no país.

Iniciativas incluem programas comunitários, formação de profissionais de saúde e educação, campanhas com líderes religiosos e mulheres da comunidade para abandonar a prática. Em contextos de migração, há também protocolos hospitalares e escolares para identificar meninas em risco e oferecer apoio seguro e confidencial.

Se você quer ajudar ou buscar ajuda

  • Sobreviventes podem ter acesso a atendimento ginecológico, cirurgias reparadoras em alguns casos, e apoio psicológico especializado.
  • Profissionais de saúde são orientados a abordar o tema com respeito, sem julgamento, usando linguagem sensível e garantindo sigilo.
  • Organizações internacionais (como programas conjuntos UNFPA–UNICEF) e entidades nacionais de direitos humanos mantêm materiais informativos, linhas de apoio e projetos com comunidades afetadas.

Se você ou alguém que conhece corre risco ou já passou por MGF, o mais importante é procurar serviços de saúde e organizações de direitos das mulheres na sua região, que podem orientar sobre cuidados de saúde, apoio psicológico e proteção legal.

Informação reunida a partir de dados e artigos públicos de organizações de saúde, direitos humanos e entidades oficiais.

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