Um rio atmosférico é como um “corredor” estreito de ar carregado de vapor de água que cruza a atmosfera, transportando enormes quantidades de humidade dos trópicos para outras regiões do planeta. Quando esse corredor chega a áreas continentais (especialmente onde há montanhas ou ar mais frio), o vapor condensa e se transforma em chuva intensa ou neve.

O que é, em termos simples

  • É uma faixa longa e estreita de vapor de água concentrado na atmosfera, muitas vezes com centenas ou milhares de quilómetros de extensão.
  • Costuma estar nos níveis médios e altos da atmosfera, tipicamente entre cerca de 12 e 17 km de altura em alguns casos descritos.
  • Funciona como um “rio invisível” de humidade, sem margens, mas com um fluxo bem definido, capaz de transportar mais vapor de água do que grandes rios de superfície, como o Amazonas.

Como se forma

  • O ar quente e húmido dos trópicos é “puxado” por sistemas de grande escala (como frentes e a corrente de jato) e organizado em faixas estreitas.
  • A corrente de jato ajuda a canalizar essa humidade, criando estruturas filamentosas de vapor de água concentrado.
  • Quando o rio atmosférico encontra montanhas ou massas de ar mais frias, o ar é forçado a subir, arrefece, condensa e gera nuvens e precipitação — o processo chama‑se elevação orográfica.

Impactos no tempo e no clima

  • Ao chegar à terra, um rio atmosférico pode causar episódios de chuva muito intensa e duradoura, ou de neve abundante em regiões frias.
  • Em vários lugares (como costa oeste dos EUA, Andes, e partes do Brasil e América do Sul), esses eventos estão associados a inundações, deslizamentos de terra e outros impactos extremos.
  • Ao mesmo tempo, eles são fundamentais para o ciclo global da água, respondendo por grande parte do transporte de vapor no sentido norte–sul e ajudando a garantir parte da chuva sazonal em muitas regiões.

Rios atmosféricos no Brasil e América do Sul

  • Na América do Sul, alguns rios atmosféricos estão ligados à humidade trazida do Atlântico para a Amazónia e à evapotranspiração da floresta, que “realimenta” o vapor de água na atmosfera.
  • Esses fluxos podem depois ser desviados para sudeste, sul e centro‑oeste do Brasil, estando associados a eventos de chuva forte e prolongada nessas regiões.

Classificações e tendência atual

  • Há sistemas de classificação de rios atmosféricos (como a escala AR‑1 a AR‑5) que agrupam os eventos desde “principalmente benéficos” até “principalmente maléficos”, conforme a quantidade de humidade e a duração do fenómeno.
  • Com o aquecimento global e alterações nos padrões de circulação, rios atmosféricos têm ganhado mais atenção de meteorologistas e climatologistas, pela ligação com episódios de precipitação extrema e cheias em várias partes do mundo.

TL;DR: rio atmosférico é um corredor estreito de vapor de água na atmosfera que transporta enormes quantidades de humidade; quando atinge terra (sobretudo perto de montanhas ou ar frio), pode provocar muita chuva ou neve e até cheias, mas também é peça-chave do ciclo global da água.

Informação reunida a partir de notícias, glossários meteorológicos e enciclopédias públicas disponíveis na internet.