o que é mutilação genital feminina

Mutilação genital feminina (MGF) é qualquer procedimento que corta, fere ou remove parte dos órgãos genitais externos de meninas e mulheres sem qualquer razão médica, sendo considerada uma grave violação de direitos humanos.
Definição básica
A MGF inclui desde pequenos cortes até a remoção parcial ou total do clitóris, dos pequenos lábios e, em casos mais graves, também dos grandes lábios, muitas vezes seguida de costura parcial da abertura vaginal.
Organismos internacionais, como a OMS e entidades europeias, definem a prática como qualquer lesão nos genitais femininos feita por motivos não médicos, culturais, religiosos ou sociais.
Tipos principais segundo a OMS
A OMS agrupa a mutilação genital feminina em quatro grandes tipos.
- Tipo I (clitoridectomia): remoção parcial ou total do clitóris e, às vezes, apenas do prepúcio clitoriano.
- Tipo II (excisão): remoção parcial ou total do clitóris e dos pequenos lábios, com ou sem remoção dos grandes lábios.
- Tipo III (infibulação): remoção de lábios e fechamento/estreitamento da abertura vaginal, deixando apenas um pequeno orifício para urina e menstruação.
- Tipo IV: qualquer outra forma de lesão, como perfuração, incisão, raspagem ou cauterização da área genital.
Onde e com quem ocorre
A prática é mais comum em cerca de 30 países da África e do Oriente Médio, embora também exista em partes da Ásia, da América Latina e em comunidades migrantes na Europa e em outros continentes.
Geralmente é realizada em meninas entre a infância e a adolescência (por volta de 5 a 15 anos), muitas vezes por pessoas sem formação médica e em condições de higiene precárias.
Justificativas culturais (e por que não se sustentam)
Comunidades que praticam a MGF costumam invocar tradição, honra familiar, controle da sexualidade feminina ou supostas exigências religiosas, embora nenhuma grande religião a obrigue.
Muitas famílias acreditam que sem passar pelo “corte” a menina não será aceita socialmente ou terá dificuldade para casar, o que ajuda a prática a se manter apesar das leis e campanhas contra ela.
Consequências para a saúde
A MGF é extremamente dolorosa no momento do procedimento e traz riscos imediatos como hemorragia, infecção grave, choque e até morte.
A longo prazo, pode causar dor crônica, problemas urinários e menstruais, dificuldade ou dor intensa nas relações sexuais, complicações obstétricas e impactos psicológicos profundos, como ansiedade, depressão e trauma.
Situação legal e direitos humanos
Hoje, a mutilação genital feminina é proibida na maior parte do mundo e reconhecida por organismos internacionais como uma forma extrema de violência de género e discriminação contra meninas e mulheres.
Ela viola direitos básicos, como o direito à integridade física, à saúde, à liberdade de decisão sobre o próprio corpo e à proteção contra tortura e tratamentos cruéis ou degradantes.
Números e atualidade
Estima-se que cerca de 200 milhões de meninas e mulheres vivas hoje já tenham sido submetidas a algum tipo de mutilação genital feminina.
Mesmo sendo ilegal em muitos países, novos casos continuam ocorrendo diariamente, o que faz com que campanhas de sensibilização, educação comunitária e proteção de meninas sigam sendo urgentes.
Debates atuais e mudanças
Nos últimos anos, sobreviventes da MGF têm ganhado mais espaço para relatar suas histórias, denunciar abusos e exigir reparação, inclusive por meio de cirurgias reconstrutivas em alguns serviços de saúde.
Ao mesmo tempo, líderes religiosos, educadores e organizações locais vêm trabalhando com comunidades para mostrar que abandonar a prática não significa perder a identidade cultural, e sim proteger a dignidade e a saúde das meninas.
Mini visão geral em tabela
| Aspecto | Descrição |
|---|---|
| O que é | Procedimentos que cortam, removem ou lesionam genitais externos femininos sem motivo médico. | [1][5][7][9]
| Principais tipos | Tipos I a IV, variando de corte do clitóris à infibulação e outras lesões. | [2][3][6][7]
| Regiões mais afetadas | Principalmente África e Oriente Médio, com casos também na Ásia, América Latina e diáspora. | [3][7][9]
| Consequências | Dor intensa, infecções, complicações no parto, trauma psicológico e risco de morte. | [7][10][1][3]
| Status legal | Proibida em muitos países, reconhecida como violação de direitos humanos e violência de gênero. | [5][9][10][7]
Em discussão em 2025–2026
Reportagens recentes em veículos internacionais em português e campanhas em datas como o Dia Internacional de Tolerância Zero à MGF (6 de fevereiro) mantêm o tema em destaque e pressionam governos a agir.
Debates atuais giram em torno de como combinar leis, proteção a meninas em risco, apoio a sobreviventes e diálogo cultural para mudar práticas profundamente enraizadas sem aumentar estigmas.
Em muitos fóruns e debates públicos, sobreviventes reforçam: “não é tradição, é violência”, pedindo que a prática seja nomeada claramente como abuso e não como um simples “ritual de passagem”.
TL;DR: Mutilação genital feminina é qualquer corte ou remoção de partes dos genitais externos de meninas e mulheres sem necessidade médica, feita por razões culturais ou sociais, que causa danos graves à saúde e viola direitos humanos.
Você gostaria que eu foque agora em aspectos legais no Brasil/Portugal, em consequências para a saúde, ou em como apoiar alguém que passou por MGF?