A palavra “acidente” foi substituída por “sinistro” no trânsito principalmente para deixar claro que, na imensa maioria dos casos, esses fatos não são obra do acaso , mas eventos evitáveis, com causa e responsabilidade definidas.

O que mudou na prática?

  • A ABNT revisou a norma NBR 10697 e passou a usar “sinistro de trânsito ” no lugar de “acidente de trânsito”.
  • Em 2023, a Lei 14.599/23 alterou o Código de Trânsito Brasileiro, trocando o termo “acidente” por “sinistro de trânsito” em diversos dispositivos legais.
  • Órgãos de trânsito, seguradoras e materiais de formação de condutores passaram a adotar essa nova terminologia de forma mais consistente nos últimos anos.

Em resumo: não é só “moda de linguagem”; houve mudança normativa e depois legal, puxada por especialistas em segurança viária.

Por que “acidente” virou problema?

A crítica ao termo “acidente” é principalmente conceitual :

  • “Acidente” sugere algo fortuito, inevitável, quase “azar”.
  • Isso tende a diluir a responsabilidade de motoristas, pedestres, gestores públicos e até fabricantes, como se nada pudesse ter sido feito.

A própria Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) já sintetizou a ideia:

O termo “acidente” remete a algo inevitável e reduz a responsabilidade dos envolvidos. Já o termo “sinistro” é o mais adequado porque a maioria dos eventos de trânsito é resultado de falhas ou negligência e pode ser evitada.

Ou seja: se quase tudo decorre de excesso de velocidade, celular na mão, desrespeito à sinalização, álcool, via mal projetada , não faz sentido chamar de algo “sem causa” ou “imprevisível”.

O que significa “sinistro de trânsito”?

Nas normas técnicas e na visão atual de segurança viária, “sinistro de trânsito ” passou a ser:

  • Todo evento no trânsito que cause dano a veículo, carga, pessoas, animais, à via ou ao meio ambiente.
  • Desde que haja pelo menos um veículo em movimento envolvido.

Isso inclui, por exemplo:

  • Colisões entre veículos.
  • Atropelamentos.
  • Choques contra obstáculos (poste, muro, árvore).
  • Tombamentos, capotamentos etc.

A mudança também dialoga com o conceito já usado em seguros , em que “sinistro” é o evento danoso que aciona a cobertura (roubo, colisão, incêndio etc.).

O objetivo por trás da mudança

A troca de palavra tem uma intenção política e pedagógica :

  1. Ressignificar o trânsito
    • Deixar claro que a maior parte dos casos é evitável e ligada a comportamento (falha humana), infraestrutura, manutenção ou fiscalização insuficiente.
 * Forçar o debate sobre **responsabilidade** : quem poderia ter agido diferente para evitar aquele resultado?
  1. Fortalecer políticas de prevenção
    • Se é “acidente”, parece “fatalidade”; se é “sinistro”, abre espaço para discutir causas , dados, estatísticas, metas e cobrança de resultados.
 * Ajuda a alinhar o Brasil com uma visão moderna de segurança viária adotada em vários países, onde se trabalha com o conceito de “visão zero” (morte no trânsito como algo intolerável e prevenível).
  1. Padronizar linguagem técnica
    • Normas da ABNT, materiais de formação de condutores, relatórios estatísticos e o próprio CTB passam a falar a mesma língua.

Um exemplo ilustrativo:

  • Antes: “Foi um acidente, podia acontecer com qualquer um.”
  • Depois: “Foi um sinistro de trânsito causado por excesso de velocidade e desrespeito à faixa de pedestre.”
    Na segunda frase, fica muito mais claro que há causa e responsabilidade , não só azar.

E no dia a dia, o que isso muda?

Na prática, você ainda vai ouvir muito “acidente”, mas a tendência é que:

  • Em provas, materiais do Detran e textos oficiais, o termo “sinistro de trânsito” seja o padrão.
  • Campanhas de segurança passem a enfatizar que mortes e lesões no trânsito são evitáveis , reforçando o caráter de “epidemia” que pode ser enfrentada com políticas públicas e mudança de comportamento.

Instrutores de autoescola e cursos de legislação costumam orientar assim:

Quando você ler “sinistro de trânsito”, entenda tudo aquilo que antes se chamava “acidente”, mas com a visão de que poderia ter sido evitado.

TL;DR

A palavra “acidente” foi substituída por “sinistro” no trânsito porque:

  • “Acidente” passa a ideia de fatalidade inevitável.
  • “Sinistro” reforça que há causas identificáveis , responsabilidade e possibilidade de prevenção.
  • A mudança foi consolidada por normas da ABNT e pela Lei 14.599/23, entrando de vez no vocabulário técnico e legal brasileiro.

Informação: A explicação acima se baseia em normas técnicas, legislação recente e materiais de segurança viária. Informação reunida a partir de dados e conteúdos públicos disponíveis na internet.