o que esta acontecendo com a havaianas
Havaianas está no meio de uma crise de imagem e de uma grande discussão política no Brasil, ao mesmo tempo em que segue fazendo movimentos de expansão e collabs no mundo.
Polêmica da campanha “pé direito”
A crise começou com uma campanha publicitária para o Réveillon 2025/2026 em que a atriz Fernanda Torres diz algo como “desculpa, mas eu não quero que você comece 2026 com o pé direito”, explicando na sequência que quer atitude, entrar com os dois pés, etc. A frase, que era um jogo de palavras com o clichê de “começar com o pé direito”, foi interpretada por parte da direita como uma provocação política em ano eleitoral, associando “pé direito” a votar na direita.
Figuras políticas conservadoras passaram a acusar a marca de desrespeitar os eleitores de direita, e o vídeo virou assunto em trending topics de redes sociais, alimentando uma guerra cultural em torno de uma sandália que sempre foi vista como símbolo “neutro” e popular. Isso transformou um comercial de 30 segundos em gatilho para debates sobre politização de marcas, liberdade criativa e respeito ao público.
Chamados de boicote e reação do varejo
Lideranças e influenciadores de direita começaram a convocar boicotes à Havaianas, dizendo que a empresa “escolheu um lado” e que a direita iria abandonar a marca. Em vídeos e postagens, alguns chegaram a mostrar que jogariam fora as sandálias, reforçando a narrativa de cancelamento em massa.
O movimento ganhou força quando o empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, anunciou que retiraria os produtos Havaianas de todas as suas lojas no Brasil. Ele afirmou que cancelou todos os pedidos após a repercussão da campanha e declarou que não pretende mais usar a marca, dizendo que a decisão refletia a insatisfação de consumidores com o posicionamento da empresa.
Silêncio da marca e impacto na imagem
Um ponto que aumentou a temperatura da discussão foi o silêncio da Havaianas e da controladora Alpargatas nos primeiros dias da crise. Comentários na imprensa e em colunas de opinião destacam que, em situações semelhantes, outras grandes empresas costumam divulgar rapidamente notas de esclarecimento ou pedidos de desculpa, enquanto a marca aparentemente manteve a estratégia de não responder publicamente.
Especialistas em branding e negócios passaram a analisar o caso em programas de TV e canais de negócios, discutindo se a crise poderia afetar vendas de fim de ano, relacionamento com o varejo físico e percepção de marca no longo prazo. Ao mesmo tempo, há quem avalie que parte da exposição negativa também gera engajamento e que o efeito real nas vendas precisa ser medido com calma, além de considerar eventual recuperação posterior.
Situação da empresa e mercado global
Apesar da crise no Brasil, o negócio Havaianas não está “acabando”; a Alpargatas continua fazendo movimentos estratégicos, especialmente no exterior. Em 2025, a empresa fechou um acordo de distribuição com o Eastman Group para operar a marca na América do Norte, migrando de um modelo direto para um modelo de distribuidor, com contrato inicial de quatro anos e possibilidade de extensão.
Nos resultados financeiros, a companhia reportou crescimento de receita no primeiro trimestre de 2025, superando novamente a marca de 1 bilhão de reais em vendas no período, o que indica que o negócio global segue relevante e em expansão. Além disso, colaborações de moda, como a parceria com a marca espanhola Gimaguas, vêm mantendo a Havaianas em alta no cenário fashion internacional, com modelos que viralizam e aparecem em rankings de produtos mais desejados.
Havaianas hoje: crise, boicote e tendência
Hoje, falar “o que está acontecendo com a Havaianas” é falar de três camadas ao mesmo tempo.
- No Brasil, a marca enfrenta uma crise de reputação e um boicote puxado por setores da direita por causa de um comercial lido como politizado em ano eleitoral.
- No varejo, a decisão de redes como a Havan de parar de vender Havaianas vira símbolo concreto dessa guerra cultural e pressiona a empresa a decidir se responde ou mantém o silêncio estratégico.
- Globalmente, a sandália continua forte: há acordos de distribuição para crescer nos EUA e collabs que mantêm o produto em posição de destaque na moda mundial, mesmo com a tempestade no mercado doméstico.
Em resumo, a marca não está “morrendo”, mas atravessa uma fase de forte polarização no Brasil, que pode redefinir como empresas populares lidam com humor, política e publicidade daqui para frente.
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