O que nos mantém vivos é uma mistura de fatores biológicos, emocionais, sociais e até existenciais, e é justamente essa combinação que torna a pergunta tão interessante.

Biologia: o mínimo que o corpo precisa

Se olharmos de forma bem literal, “o que nos mantém vivos” é:

  • Oxigênio entrando pelos pulmões e sendo levado pelo sangue.
  • Coração batendo de forma organizada, bombeando sangue para todos os órgãos.
  • Nutrientes (principalmente glicose) chegando às células para gerar energia.
  • Um corpo mantendo equilíbrio interno (temperatura, pH, sais, toxinas) – o que chamamos de homeostase.

Quando um desses sistemas para por tempo demais (por exemplo, falta de oxigênio ao cérebro por alguns minutos), as células começam a morrer, e a vida se torna irreversivelmente insustentável.

Vida como “luta contra a entropia”

Há uma visão mais filosófica-científica: a ideia de que a vida é uma luta constante contra a desordem (entropia).

  • Nossos corpos são estruturas altamente organizadas em um universo que tende ao caos.
  • Para manter essa organização, gastamos energia o tempo todo: comemos, respiramos, geramos calor, reparamos danos celulares.
  • Quando paramos de conseguir gastar energia para manter essa organização (porque o coração para, o cérebro desliga, etc.), a desordem vence – e chamamos isso de morte.

É uma forma poética de dizer que viver é um equilíbrio frágil, constantemente mantido por reações químicas e fluxo de energia.

O que nos mantém vivos por dentro: motivos e sentido

Saindo da biologia e indo para o psicológico/existencial, muita gente responde à pergunta “o que te mantém vivo?” com coisas muito humanas:

  • Pessoas amadas: mãe, pai, filhos, parceiro(a), amigos, até animais de estimação.
  • A curiosidade pelo futuro (“quero ver o que ainda vai acontecer na minha vida”).
  • Pequenas alegrias: música, comida favorita, natureza, hobbies, arte.
  • Fé, espiritualidade ou uma causa maior.
  • Até sentimentos intensos como desejo de justiça ou de reparação por algo traumático.

Em discussões abertas, muita gente admite que continua aqui porque não quer magoar quem ama (“minha mãe ficaria devastada”) ou porque sabe que a dor que sente hoje é passageira, que as fases escuras vêm e vão.

Uma ideia muito repetida em fóruns de saúde mental é: “Eu continuo vivo porque aprendi que a nuvem preta sempre passa, mesmo quando parece que nunca vai passar.”

Entre fisiologia e propósito

Se juntarmos tudo, podemos olhar assim:

  • No nível físico, nos mantêm vivos os sistemas do corpo funcionando em conjunto: coração, pulmões, cérebro, circulação, metabolismo.
  • No nível psicológico, nos mantêm vivos os vínculos, os projetos, os sonhos, até as dores que ainda queremos transformar.
  • No nível simbólico, nos mantém vivos a sensação de fazer parte de algo maior – uma família, uma história, uma fé, uma comunidade.

Um exemplo simples: uma pessoa tecnicamente saudável, com coração e pulmões funcionando, pode se sentir “vazia por dentro”; outra, com problemas de saúde sérios, encontra força em relações, fé ou objetivos e sente uma vontade enorme de continuar. As duas dimensões se cruzam o tempo todo.

Se a sua pergunta é pessoal

Se “o que nos mantém vivos” é algo que você está se perguntando porque não tem encontrado muitos motivos para continuar, isso é sério e merece cuidado.

  • Você não é a única pessoa a sentir isso; muitas conversas em comunidades de saúde mental mostram gente passando por fases muito parecidas.
  • Falar com alguém de confiança (amigo, familiar) ou com um profissional de saúde mental pode ajudar a transformar essa pergunta em algo menos pesado.
  • Se em algum momento você estiver pensando em se machucar ou em não querer mais viver, busque ajuda imediata em serviços de emergência, linhas de apoio emocional ou profissionais da sua região.

Se quiser, me conta: quando você lê “o que nos mantém vivos”, você está pensando mais em biologia, em sentido da vida, ou em algo que você mesmo(a) está sentindo agora?